Acalento para João

 

Dorme, João, dorme o sono bom

Dos sonhos coloridos

Dorme o sono dos destemidos

Imaginando que será bombeiro, astronauta, super herói...

Sonha a cor de suas aventuras num navio pirata

Lutando contra corsários, ou numa nave espacial,

Numa guerra com homenzinhos verdes.

O general soldadinho de chumbo te acompanhando.

Construa o castelo de areia, onde vai fazer morada pra sereia

Sorria no teu ninho de amor, João

Cavalgue pela estrada dos sonhos, com seu cavalo alado,

Com o vento brincando em teus cabelos

Lisos ou com cachinhos

Como anjo que és, João

Doce como um beijo de mãe,

Quente como tua casa,

Suave como a caminhada que segues.

Como a cantiga de ninar para quem não chegou, João

Dorme  teu sono bom de anjo...

 

 



-Sentido por: Belle às 22h40
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O que me importa sua dor, se a que estava em meu peito foi maior?

Em que momento nos perdemos um do outro, como a ultima fibra da corda que se rompe?

Por que você não faz como eu, como todos, que cala o choro num sorriso, que diz: está tudo certo, está tudo bem...?

Porque deixa sua dor tão exposta? Porque me deseja sorte? Esta colcha de retalhos que tecemos, disfarçando um amor que nem sabemos se foi sentido, mas que marcou, pelas cicatrizes na pele, pela ausência concreta, pelo choro sentido.

Queria poder pedir pra ficar, queria poder não ter vivido...

Mas nada do que desejo fará sentido, quando vejo em você marcas maiores e penso: que importa minha dor se a do seu peito é maior?



-Sentido por: Belle às 02h00
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Hoje de manhã a dor foi mais forte. Parecia que meus ossos estavam se fragmentando.  Mas estou feliz. Ontem colhi todas as violetas que vi pelo caminho e fiz um arranjo especial pra minha mãe. Ela até chorou. O meu pai, então, ficou encantado quando eu disse que havia parado de fumar. Amo deixar alguém feliz, e eles merecem.

Mas a minha amada, ah a minha amada...

A mulher que eu jurei que iria ficar até os fins de meus dias ao seu lado, e também além do fim dos meus dias, esta merece mais que minha existência.

Vera é algo inexplicável, a continuação do meu corpo e alma, a mãe de minha filha, o meu tudo.

Fiz algo inédito hoje: arrumei toda a casa para ela, que vive reclamando de minha bagunça. Ela vai chegar da aula de dança e não vai acreditar, achando que tem dedo de minha mãe nesta história. Tudo bem, mereço esta desconfiança: sou um péssimo marido mesmo. Assumo.

Liguei para nossa filha, dizendo que tudo bem, que eu não odiava tanto assim o curso que ela escolheu, engolindo meu ciúme doentio daquela maldita universidade que a tirou de nós. Até me esforcei e perguntei como vai o tal do namorado que ela arranjou lá.

Enfim, hoje quero caminhar até a praça, jogar damas com o “seu” Zé,  e sair correndo pra ver minha amada na praia, dançando, ensaiando passinhos.

Mas hoje quero que seja diferente. Vou me esconder atrás daquele ipê florido, pra me deleitar olhando os gestos de minha Vera, o seu corpo, a sua graça quando dança, e tudo o que há de mais  perfeito que só quem ama vê. Acho que eu não poderia ter escolhido melhor coisa para fazer.

Sento na grama, escondido, quando a vejo chegar, tirar os sapatos e começar aquele ritual que me dá prazer: aquecimento, voltinhas, passinhos. Mas hoje sinto que ela não apenas treina: hoje ela resolveu dançar a coreografia toda !

Sorrio, e sem querer, choro também. Talvez pela dor, talvez pela saudade pressentida, talvez pela imagem que quero levar comigo...

Foi assim que eu morri.

Em um lindo dia de sol , embaixo de um ipê florido e vendo o amor de toda minha vida dançando.

Morri sabendo que todos estariam bem, morri sabendo que iriam sofrer um pouco, ou iriam me odiar, porque não os avisei de nada.

Mas no momento que morri, sei que todos os meus caros estavam bem e felizes.

Não poderia ter escolhido dia melhor...

 

 

                                                      

 



-Sentido por: Belle às 16h13
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Minha rotina de vida é doce, é a rotina que planejei desde adolescente: viver perto do mar, caminhar pela manhã, morar numa cidade pequena...

Deste meu dia a dia, guardo tesouros únicos, como o dono da banca que sabe quais minhas revistas preferidas, o padeiro que liga para minha casa quando assa aquele bolo de banana, o pescador que me avisa quando pesca carapau e porquinho, o mestre de capoeira que me convida pra jogar ao cair do sol, a briga diária que travo com o vento, tentando ler o  jornal sentada na  praia ...

Sei nome por nome, das esposas, dos filhos, sei das vidas, porque se misturam à minha...

Num frio e chuvoso mês de julho, escuto aquela euforia frente à minha casa, e vejo vários pescadores, festejando a pescaria de tainhas. Sorrio, sabendo que alguns minutos depois, João subirá meu jardim gritando : Tem peixe fresco, tem peixe fresco!!

João não veio.

Acabo esquecendo do fato, entretida na internet.

No dia seguinte, estranho o silêncio da praia, vejo o professor Edmilson praticando Yoga, vejo a Janete passeando com seu cachorro, mas não vejo a canoa de João no mar.

Vou à banca pegar meu jornal, e fico sabendo: João pescador perdera sua filhinha num acidente.

Entristeço, lembrando da menininha de 9 anos, olhinhos espertos, correndo pra lá e pra cá entre as canoas que chegavam. Choro, lembrando que Janaína era filha única, toda cercada de cuidados e carinhos.

Volto caminhando pela praia, quando percebo ao longe João caminhando de cabeça baixa, andando por andar...

Não vejo aquele sorriso de bom dia no rosto castigado de água salgada e sol, não vejo luz naquele olhar perdido, não vejo a altivez dos homens do mar.

João passa por mim, vejo lágrimas, mas não tenho coragem de interromper sua caminhada.

Do canto do olho, percebo um pequeno gesto de cabeça me cumprimentando, e seguindo sua dolorida caminhada.

Vejo que a rotina que escolhi para mim não é apenas doce, nem apenas rotina...

Volto o corpo e chamo João, abro minha alma e o abraço, querendo dividir a dor que sei que é intransferível, mas tentando talvez aliviar, amenizar, ou fazendo-a mais forte, até transbordar de seu peito de pai ferido.

Ficamos abraçados alguns minutos, sem perceber a chuva que voltava, sem perceber mais um abraço que chega, do professor, sem perceber o jornal que se rasga molhado, sem perceber o abraço de Carla, a dona da loja, sem perceber os amigos pescadores que chegam, formando um só corpo, tentando, de uma maneira ou de outra, proteger João do mundo...

                                         

 

 

 

  

 

 



-Sentido por: Belle às 23h02
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Bia joga sua bolsa no sofá, tira o sapato que estava lhe apertando e caminha até a cozinha, procurando o vinho que havia sobrado da noite anterior. Estremece e ri ao mesmo tempo, lembrando do homem que conhecera há seis meses atrás. Que coisa louca: nada sabia dele. Estavam no mesmo ponto de táxi, numa tarde chuvosa e de repente se olharam e aconteceu um desejo que sufocou a razão. Foram pra casa dela e se amaram. Simples assim. E nada mais.

Alguns dias depois disso, ele retorna, com um vinho na mão, ou com rosas, ou com pizza, ou com chocolates...

Seis meses e sempre a mesma coisa, sem se saber nomes, origens, sem nada. Não se perguntam, não se investigam, talvez por medo do que se pode perder se souberem. Desejos sofrem impedimentos no dia a dia...

Bia não sabe o preço deste desejo, mas entende de solidão. E por enquanto não queria pensar em mais nada, apenas em seu amante sem nome e sem histórias...

Súbito, olha pela janela, alarmada com o barulho de buzinas e carros. Mora no segundo andar, e se assusta com o homem caído no asfalto...

Fecha a janela e chora, com o monstro da solidão invadindo mais uma vez sua alma...

Acorda de madrugada, com o insistente interfone. Seu coração pula, porque sabe quem a procura. Abre a porta e vê o braço engessado, o curativo na testa.

E pela primeira vez, ouve:

- Precisamos conversar sobre nós.

“Antes que a vida se vá” – pensa Bia, saindo da frente e deixando-o entrar...



-Sentido por: Belle às 17h38
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Dia difícil de trabalho, onde um casal resolve devolver o quase adotivo filho. Coube à mim fazer a parte mais difícil, retirar o adolescente do lar e devolver ao abrigo em que ele foi tirado. No carro, um aperto no coração me faz chorar, pensando em quantas chances mais a vida irá lhe dar. Ele olha pro nada, com uma expressão dura, de garoto de rua, e eu olho para aquele rosto, tentando adivinhar algo, tentando penetrar nesta face tão nova e ver onde se perdeu a sensibilidade, tentando achar em seus olhos um mínimo de tristeza ou mágoa, mas tudo em vão...

Aquele olhar perdido nada me fala, de sua boca nada sai.

Chegamos ao abrigo, converso com a administrador, alguém o encaminha ao seu dormitório. Ele fecha a porta e não me fala nada. Fico mais alguns minutos acertando alguns itens, e saio. O portão se fecha atrás de mim.

Volto ao escritório, onde o casal,  já arrependido, pede seu retorno. Eu fito aquele homem e aquela mulher e penso: eles acham que o adolescente é mercadoria? Não sinto calor naquelas lágrimas, e sim vergonha. Peço pra pensarem um pouco mais, e me procurarem depois.

Chego em minha casa e fico pensando em quantas vítimas somos capazes de criar, em nome do amor. Porque é fácil amar o belo, o correto. Mas e o que a vida nos coloca a frente? Basta fechar os olhos e esconder a vergonha do preconceito?

Enfim, apago a luz do meu quarto e vou dormir, enquanto em um quarto coletivo, do outro lado da cidade, sei que há um menino chorando em silêncio embaixo de um cobertor sujo e surrado...

 



-Sentido por: Belle às 22h53
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Quando um amor termina, criam-se distâncias, superáveis ou não.

E o coração luta para voltar a ser feliz...

Quando um amor se rompe, erguem-se obstáculos, quebram-se diálogos.

E o coração enluta, para tentar reviver...



-Sentido por: Belle às 20h31
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O CAOS terá sua seleção musical dirigida por meu amigo Pia.

Bom poder compartilhar este cantinho com ele, que admiro tanto.



-Sentido por: Belle às 20h13
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Pros erros, há o perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo...



-Sentido por: Belle às 00h31
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Olá,

Aqui quero deixar um pouco de mim, de minha visão poética e as vezes racional da vida, da vida que se desenrola ao lado, através de uma cortina, pelo vidro do carro, pelas calçadas, entre tantas manifestações do verbo viver, para juntos deixarmos emergir nossa sensibilidade. Venha comigo !



-Sentido por: Belle às 13h37
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Em Desespero





Pink Floyd
The Grat Gig In The Sky










Sou assim, meio que inconstante, um tico de manha, uma pitada de ironia, um tanto de amor e um monte de vida e alegria. Sou Isabelle, um tanto de mim...



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